SINOPSE
Os objetos são palpáveis, materiais, não mentem. Escondidos do olhar, em arcas, gavetas, armazéns, remetem-se ao silêncio. Mas, se lhes limparmos o pó dos dias e os observarmos com atenção, seremos capazes de ouvir as histórias que têm para contar.
Durante cinco anos a jornalista Fernanda Cachão investigou o legado material do Estado Novo, os objetos que décadas de ditadura deixaram para trás. Escolheu 101, lote onde cabem desde a fivela que adornava o cinto da Mocidade Portuguesa, ao Chrysler Imperial, pertença de Salazar, que oito comunistas viriam a usar numa ousada fuga da Prisão de Caxias. Cada um dos objetos ajuda a construir o retrato do regime pelo que este livro é uma fascinante montra do que foi a vida portuguesa no tempo da ditadura. Em textos breves, vivos, incisivos, cada peça, cada carta, cada documento, suscitam um leque de observações e assinalam, na cronologia da nossa História, o ponto onde foram inscritos.