Carlos Paredes

Carlos Paredes

Autor do Mês - fevereiro 2025

BIOGRAFIA

Em 16 de fevereiro de 2025, cumprem-se 100 anos sobre o nascimento de Carlos Paredes, um dos mais importantes e influentes músicos portugueses do século XX. Criador de um repertório original que levou ao mais alto nível as possibilidades expressivas da guitarra portuguesa, Carlos Paredes influenciou distintas gerações de músicos nacionais e internacionais, contribuindo para a popularização deste instrumento junto de vastas audiências. O seu legado, pleno de memória e modernidade, ocupa um lugar central no nosso património e a sua obra fez escola e assume, na cultura musical portuguesa, um valor incalculável.

Carlos Paredes nasceu em Coimbra, a 16 de Fevereiro de 1925. Filho de Artur Paredes, neto de Gonçalo Paredes e sobrinho-neto de Manuel Rodrigues Paredes, é herdeiro de uma vasta tradição familiar onde a guitarra esteve sempre presente.

 

Com o pai, Carlos Paredes aprendeu as primeiras posições de mão na guitarra e, por brincadeira, começou com cerca de 9 anos a acompanhar o progenitor. Mais tarde, já com 14 anos, apresentou-se, em parceria com Artur Paredes, num programa semanal, da autoria deste, na Emissora Nacional.

 

Por volta de 1934, a família instalou-se em Lisboa. Carlos Paredes aprendeu a ler e concluiu a instrução primária no Jardim-Escola João de Deus e, depois, frequentou o Liceu Passos Manuel. Será nesta altura que irá adquirir a sua formação musical, tendo aulas de violino e piano. Fez o exame de admissão ao Curso industrial do Instituto Superior Técnico, em 1943, mas frequentou apenas o primeiro ano.

 

No ano de 1949, Carlos Paredes tornou-se funcionário administrativo do Estado, trabalhando durante muitos anos no arquivo de radiografias do Hospital de S. José, até se reformar a 1 de Novembro de 1986.

Carlos Paredes casou por duas vezes, a primeira com Ana Maria Napoleão Franco Paredes, em 1960, e a segunda com Cecília de Melo.

 

Carlos Paredes nunca rejeitou a influência que recebeu, tanto da música popular portuguesa como do próprio fado de Coimbra. A renovação e reinvenção da sonoridade da guitarra portuguesa que atingiu, resultou duma geração de 60 revitalizada por novos conceitos sócio culturais, onde floresciam as vozes de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Luiz Goes e António Bernardino, bem como a poesia de Manuel Alegre, a guitarra de António Portugal e as violas de Rui Pato e Luis Filipe, em suma, toda uma geração coimbrã que, preservando a riqueza etnomusical que a antecedia, revolucionou a guitarra por dentro e cantou valores que a projetariam inevitavelmente no futuro.

 

Desse gosto pela aventura nasceu uma vasta obra musical que, passando pelo Teatro, pelo Bailado e pelo Cinema, faz de Carlos Paredes um dos mais completos compositores / instrumentistas que a guitarra portuguesa conheceu, apesar de nunca ter optado pela profissionalização.

 

A sua primeira aventura discográfica em nome próprio, o EP "Carlos Paredes", data de 1962. Dois anos antes, em 1960, tinha composto a música da banda sonora da curta-metragem "Rendas de Metais Preciosos" realizada por Cândido Costa Pinto. Na execução desta peça foi acompanhado por Fernando Alvim, começando uma parceria que se prolongaria por mais de 20 anos.

 

A sua ligação ao cinema não se ficou por aqui e, para além da música feita para "Os Verdes Anos" (1962) que se tornou um dos seus ex-libris, e "Mudar de Vida" (1966), do cineasta Paulo Rocha, ou de "Fado Corrido" (1964), realizado por Jorge Brum do Canto, regista-se a participação do artista ou da sua música nas curtas-metragens: "P.X.O" (1962), de Pierre Kast e Jacques Valcroze; "Crónica do Esforço Perdido" (1966), de António Macedo; "À Cidade" (1968) e "The Columbus Route (1969), de José Fonseca e Costa; "Tráfego e Estiva" (1968), de Manuel Guimarães; "Hello Jim!" (1970), de Augusto Cabrita; e "As Pinturas do Meu Irmão Júlio" (1965), de Manoel de Oliveira, entre outras.

 

No teatro, destacam-se as colaborações com José Cardoso Pires, na histórica encenação de Fernando Gusmão para o Teatro Moderno de Lisboa, em 1964; com Carlos Avilez nas "Bodas de Sangue", espetáculo do CITAC; e em "A Casa de Bernarda Alba" de Garcia Lorca, pelo Teatro Experimental de Cascais.

 

O guitarrista continua a compor músicas para teatro e cinema, até que, no ano de 1971, saiu aquela que é unanimemente considerada a sua obra-prima, o disco "Movimento Perpétuo", que inclui temas magníficos como "António Marinheiro", "Mudar de Vida" e o próprio tema que lhe dá o título.

 

Entre 1971-1977, com o Grupo de Teatro de Campolide, fez a música para "O Avançado Centro Morreu ao Amanhecer" de Agustin Cuzzani, e escolheu a banda sonora dos espetáculos seguintes do grupo.

 

A nível de Bailado, Vasco Wallenkamp criou em 1982 "Danças para Uma Guitarra", com música de Paredes.

 

Após o 25 de Abril de 1974, Carlos Paredes fez parte da banda sonora da Revolução: as primeiras eleições livres (para a Assembleia Constituinte) são anunciadas diariamente na TV com música de Paredes. No ano das eleições (1975), o guitarrista editou um LP em que toca guitarra, sendo acompanhado por Manuel Alegre (que declama poemas de sua autoria). Este disco intitula-se "É preciso um País".

 

Carlos Paredes começou a frequentar alguns dos grandes palcos por essa Europa fora e, sem o consentimento da sua editora, foi lançado na então RDA um LP intitulado "O Oiro e o Trigo" (de 1980), que reúne material inédito gravado em 73 e 75. Nesse país já tinha sido lançada uma compilação do mestre intitulada "Meister der Portugiesischen Guitarre", em 1977.

 

A nova editora de Paredes, após a rutura com a Valentim de Carvalho, lançou, em 1983, um álbum gravado ao vivo em Frankfurt que inclui temas inéditos.

 

No ano seguinte, em dueto com António Vitorino de Almeida, que toca piano, é editado o disco "Invenções Livres" e, em 1988, a sua nova editora (Polygram) inundou os escaparates das discotecas com o LP "Espelho de Sons", o qual entrou diretamente para o 3º lugar do Top Nacional de vendas de discos.

 

O seu próximo disco é um dueto com o contrabaixista de Jazz Charlie Haden ("Dialogues"), a que se seguirá uma participação especial no disco ao vivo dos Madredeus, gravado em Lisboa no Coliseu dos Recreios.

 

O seu último disco, "Na Corrente", é lançado em 1996, quando o genial guitarrista já estava impedido pela doença de participar em espetáculos e de gravar discos. Esta gravação reúne diverso material inédito.

 

O guitarrista cresceu num ambiente de discreta resistência e contestação política ao regime salazarista pelo que, em 1958, aderiu ao então clandestino Partido Comunista Português. Na manhã de 26 de Setembro desse mesmo ano foi preso pela PIDE no seu local de trabalho, permaneceu detido por 18 meses e, depois de sair em liberdade, foi suspenso do Hospital de S. José, trabalhando durante alguns anos como delegado de propaganda médica.

 

Curiosamente, apesar da perseguição política, Carlos Paredes foi por diversas vezes convidado a integrar delegações estatais, atuando, por exemplo, no Festival de Varadero em Cuba, em 1967, na Exposição Mundial de Osaka, em 1970, ou na Opera de Sidney, na Austrália.

 

A seguir à revolução de 25 de Abril de 1974, Carlos Paredes participou em inúmeras iniciativas realizadas pelo Partido Comunista Português, particularmente em espetáculos promovidos não só em Portugal como em vários países da Europa de Leste.

 

A última atuação em público de Carlos Paredes foi em Outubro de 1993, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, acompanhado por Luísa Amaro.

Em Dezembro de 1993, foi-lhe diagnosticado um grave problema de saúde que o impossibilitava de tocar guitarra e que o manteve afastado da vida ativa até à data do seu falecimento, em 2004.

 

Prémios e Condecorações:

1961 - Prémio da Casa da Imprensa, como Solista

1981 - Prémio da Casa da Imprensa, para Música Ligeira e Prémio Consagração de Carreira

1984 - Troféu Nova Gente, Troféu Prestígio do Jornal Sete e Prémio Bordalo da Casa da Imprensa

1987 - Prémio Antena Um

1988 - Prémio Antena Um

1992 - Ordem de Comendador de Santiago e Espada oferecida pelo Senhor Presidente da República a 10 de Junho.

 

Discografia:

1957 - "Carlos Paredes" - EP, Alvorada;

1962 - "Verdes Anos" - EP, Alvorada;

1967 - "Guitarra Portuguesa - LP Columbia;

1968 - "Porto Santo" - EP Columbia,

1968 - "Divertimento" - EP Columbia;

1968 - "Variações em Ré Menor" - EP Columbia;

1971 - "Movimento Perpétuo" - LP Columbia;

1972 - "Movimento Perpétuo" - Single Columbia;

1972 - "Mudar de Vida" - Single Columbia;

1972 - "António Marinheiro" - Single Columbia;

1972 - "Balada de Coimbra" - Single Columbia;

1977 - "Carlos Paredes-Meister der portugiesischen Gitarre-LP Amiga,RDA;

1983 - "Concerto em Frankfurt" - LP e CD Philips;

1986 - "Invenções Livres" - LP Philips, com António Victorino d'Almeida;

1987 - "Espelho de Sons" - LP e CD Philips;

1991 - "Dialog" - LP e CD Philips;

1996 - "Na Corrente" - disco que reúne material inédito.

 

 

Fonte: https://www.museudofado.pt/fado/personalidade/carlos-paredes

 

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