Anne Frank

Anne Frank

Autor do Mês - junho 2025

BIOGRAFIA

Anne Frank nasceu a 12 de junho de 1929 na cidade alemã de Frankfurt. Tinha uma irmã, Margot, três anos mais velha. Na altura, a situação na Alemanha não era a melhor: havia poucos empregos e muita pobreza. E é nesse cenário que Adolf Hitler e o seu partido recebem o apoio de um número crescente de adeptos. Hitler odiava os judeus, culpando-os pelos problemas do país, e deu voz aos sentimentos anti-semitas que prevaleciam na Alemanha. Por causa desse ódio aos judeus e da má situação do país, os pais de Anne, Otto e Edith Frank, decidiram mudar-se para Amesterdão, Holanda, onde ele fundou uma pequena empresa.

Anne aprendeu a língua, fez novos amigos e andou numa escola holandesa no bairro. O seu pai trabalhou arduamente para fazer prosperar o negócio, mas não foi fácil.

 

A 1 de setembro de 1939, quando Anne tem 10 anos, os nazis invadiram a Polónia e começou a Segunda Guerra Mundial. Passados uns meses, a 10 de maio de 1940, os nazis também invadiram a Holanda. Cinco dias depois, o exército holandês rendeu-se. Aos poucos, os ocupantes nazis introduziram leis que tornaram a vida dos judeus mais difícil. Parques, cinemas e lojas não-judaicas, entre outros locais, estavam-lhes interditos. Por causa destas regras restritivas, eram cada vez menos os lugares onde Anne podia ir. O seu pai perdeu o negócio, uma vez que já não era permitido aos judeus terem empresas próprias. Todas as crianças judias, incluindo Anne, tiveram que ir para uma escola judaica separada. Os judeus tiveram de começar a usar uma estrela de David na manga e surgiram rumores de que todos teriam de deixar a Holanda, pelo que a família decidiu esconder-se para tentar escapar.

 

Na primavera de 1942, o pai de Anne tinha começado a instalar um esconderijo no anexo secreto da sua empresa, no nº 263 de Prinsengracht, ajudado pelos seus antigos colegas. Passado pouco tempo, mais quatro pessoas juntam-se a eles no esconderijo. O espaço era muito apertado, tinham de permanecer silenciosos e estavam sempre com medo.

 

Aquando do seu décimo terceiro aniversário, pouco antes de passar a viver no esconderijo, Anne recebeu um diário de presente. Durante os dois anos em que permaneceu escondida, escreveu sobre o que se ia passando no Anexo Secreto, mas também sobre o que sentia e pensava. Além disso, escreveu histórias curtas, começou um romance e anotou passagens de livros que lia. Escrever ajudou-a a aguentar os dias.

 

Na altura, o Ministro da Educação da Holanda, através da rádio inglesa, fez um pedido para as pessoas guardarem os seus diários de tempos de guerra e Anne decidiu editar o seu e criar um romance, a partir daí, chamado “O Anexo Secreto”. Começou a reescrever mas, antes de terminar, ela e as outras pessoas do esconderijo foram descobertas e presas, a 4 de agosto de 1944.

Apesar da busca e detenção dos que estavam escondidos, uma parte dos escritos de Anne foi preservada por outros amigos, ou seja: o diário, escrito entre 12 de junho de 1942 e 01 de agosto de 1944, foi salvo antes do Anexo Secreto ter sido esvaziado por ordem dos nazis.

As pessoas que estavam escondidas acabaram por ser enviadas para o campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau. A viagem de comboio demorou três dias, durante os quais Anne e outras mais de mil pessoas viajaram apertadas em vagões de gado. Havia pouca comida e água e apenas um barril a servir de sanita.

 

Ao chegarem a Auschwitz, os médicos nazis avaliavam quem podia ou não ser submetido a trabalho forçado pesado. Cerca de 350 pessoas que viajaram com Anne foram imediatamente mortas nas câmaras de gás. Anne foi enviada para o campo de trabalho para mulheres, com a sua irmã e a sua mãe. Otto, o pai, acabou num campo para homens.

 

No início de novembro de 1944, Anne e a sua irmã foram deportadas para o campo de concentração de Bergen-Belsen e os seus pais ficaram em Auschwitz. As condições em Bergen-Belsen também eram miseráveis: quase não havia comida e o frio era insuportável. Anne e a irmã apanharam febre tifoide e, em fevereiro de 1945, ambas morreram das consequências dessa doença, primeiro Margot e pouco depois Anne, com apenas 15 anos.

 

De todos os que se esconderam no Anexo Secreto, apenas Otto, o pai de Anne, sobreviveu à guerra. Foi libertado de Auschwitz pelos russos e, durante a sua longa viagem de volta para a Holanda, ficou a saber que a sua esposa Edith morrera. Já na Holanda, teve conhecimento que também Anne e Margot não sobreviveram.

 

Os escritos de Anne, que tinham sido salvos por amigos aquando da detenção dos que estavam escondido no Anexo Secreto, causaram profunda impressão em Otto. Ele percebeu que ela queria tornar-se escritora ou jornalista e pretendia publicar as suas histórias sobre esse período no esconderijo. Uns amigos convenceram Otto a publicar o diário e, a 25 de junho de 1947, é lançado Het Achterhuis (O Anexo Secreto), numa edição de 3000 exemplares.

 

O livro viria a ser traduzido para dezenas de línguas e adaptado para teatro e cinema e ficou famoso como Diário de Anne Frank, permitindo que pessoas de todo o mundo ficassem a conhecer a história de Anne e o seu exemplo de sofrimento e, ao mesmo tempo, resiliência, esperança e humanidade.

 

Em 1960, o esconderijo tornou-se um museu: a Casa de Anne Frank. Otto, o pai, continuou estreitamente envolvido com a casa-museu até à sua morte, em 1980, esperando que os leitores do diário tomassem consciência dos perigos da discriminação, do racismo e do ódio, neste caso, contra os judeus.

 

 

Fonte: https://www.annefrank.org/en/anne-frank/who-was-anne-frank/quem-foi-anne-frank/

 

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